Anti-inflamatório pode prejudicar restauração muscular

Aplicação de gelo imediatamente após a atividade física associada ao consumo de determinados nutrientes atenua desconforto de forma favorável.
A dor que aparece no dia seguinte de uma atividade física mais intensa é um assunto abordado muitas vezes, mas que pelo fato de constituir um quadro muito frequente, sempre merece novas considerações. Uma dúvida que existe diz respeito à maneira de interpretá-la. Na realidade, ela caracteriza um erro cometido ou trata-se de um quadro normal que até certo ponto é inevitável?
Como já foi explicado por esta coluna, a dor muscular tardia é um quadro que caracteriza um processo inflamatório de remodelamento dos músculos esqueléticos em resposta ao “estímulo” do exercício. Essa dor já foi, no passado, confundida com a dor provocada pelo acúmulo de ácido láctico, e que enquanto assim entendida, provocava estratégias absolutamente inadequadas durante o período de recuperação.
O fato é que a dor tardia ou “dor do dia seguinte” é uma manifestação fisiológica, e lidar com esse quadro significa saber administrar sua magnitude. Podemos dizer que ela é até inevitável em algumas situações, como o reinício de atividades após um período de interrupção do treinamento, o aumento de carga necessário à evolução do programa, e a exigência física maior do que o corpo está acostumado a tolerar nos treinos, como uma prova mais longa ou um ritmo mais acelerado.
Em todas estas situações, e evidentemente em várias outras, os músculos esqueléticos sofrem microtraumas de maior magnitude, e o processo inflamatório de remodelamento apresenta uma proporção maior com liberação de substâncias que provocam dor (como as prostaglandinas), edema etc. É importante ressaltar que neste processo o músculo se remodela de forma a se beneficiar do processo, com ativação das chamadas células satélites, que podem proporcionar uma adaptação que resulte em fortalecimento dos grupos musculares.
O uso de anti-inflamatórios na fase de dor mais intensa deve, se possível, ser evitado, pois apesar de trazer um alívio do desconforto e da dor, estudos científicos apontam para um prejuízo do remodelamento em consequência desta medicação. A aplicação de gelo imediatamente após, associada ao consumo de nutrientes como maltodextrina, whey protein e BCAA são recursos úteis que atenuam o desconforto sem prejudicar o benefício do processo.

Fonte: Portal da Educação Física

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Sobre Prof. Carlos

Profissional registrado no Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) e no Conselho Regional de Educação Física (CREF). Graduado em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE, pós graduado em Treinamento Desportivo pela Escola Superior de Pesquisa e Pós-Graduação-PR, possui curso de capacitação em treinamento personalizado, farmacologia e exercício, fisiologia do exercício e treinamento na saúde, na doença e no envelhecimento. Participa do Grupo de Estudo e Pesquisa em Programa de Exercícios Físicos no Envelhecimento (GEPPEFE).
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